Pensamentos à deriva.
Canal : Cinema Falado em 03.ago, 2009
Ao sair do cinema, no último sábado, minha paixão pela arte de fazer filmes ficou mais ardente. O filme À Deriva me fez refletir.
Somos os pais de Filipa. Esquecemos de abastecer nossos “barcos” e, sem menos esperar, lentamente, ficamos à deriva. Olhamos a nossa volta avaliando as possibilidades; mas fazer o que? Relaxamos e deixamos a maré nos levar a algum ponto. Esperamos, imóveis. A ajuda vai chegar, se Deus quiser. Após algum tempo, de cara para cima, de óculos escuros, tomando sol e a reboque, deixamos nos arrastar para um cais seguro. Será?
Nossos olhos, os olhos de Filipa. Meigos, doces, vivos, inocentes… duros, amargos, mortos, indecentes; uma troca de olhar, palavras ditas ou não ditas, gestos, ações, inércia, afeto, raiva, amor, sexo, indiferença, violência; vemos apenas acima da linha do horizonte, na superficie do mar maravilhoso de Búzios; deixamos de perceber, no fundo, as “correntes” que realmente movimentam nosso destino. Mas até quando?
Agora somos Filipa. Nos dias de verão curtindo as férias, vamos para praia. No início mergulhamos como menina, no final emergimos, transformada, como uma mulher. Descobrimos muito mais do que podemos enxergar na supefície do mar de nossas vidas.
Prefiro não falar mais, apenas pensar… com os pés mergulhados na água, olhando para o céu azul e com o vento batendo em meu rosto… cinema é mágico.
Luiz Carrera
Equipe Cinema na Web
3-08-2009 | 10:42
Acordei…
Acordo, passo a mão pelo meu corpo e vejo que já possuo pelo no peito, poucos, mas possuo, levanto olho meu rosto e vejo espinhas, algumas novas outras mais antigas, marcas que indicam que algo está mudando, que passo por uma espécie de transformação visual mas também interna. Levanto vou de encontro com a família que junta se reúne para o café da manhã, opa algo está errado, onde está a figura do pai herói que vinha construindo até ontem? onde está aquela família perfeita? Minha mãe, ah minha mãe grande referência em minha vida, percebo que ela também possui defeitos que até ontem não percebia. Será que as pessoas da minha família mudaram? será que sou eu? A verdade e que hoje acordei e percebi que passei a enxergar a vida de uma outra forma, porém continua a ser a minha família.
6-08-2009 | 17:24
quem sou eu ? onde estou ? quem está postando este comentário ? são tantos conflitos…
7-08-2009 | 12:06
Assistir o filme À Deriva e gostaria de resaltar a sua fotografia.. que está muito linda.
7-08-2009 | 18:05
Olha, fiquei deslumbrada com o comentário do Carrera. Caramba! Maravilhoso… na verdade, tudo na vida é muito subjetivo. Até me motivou a ir ver o filme.
Parabéns a todos
9-08-2009 | 7:04
O quanto é interessante a transformação, enfim, nós não somos estamos sendo sempre!
17-08-2009 | 20:27
Luiz,
Lendo este seu comentário sobre o filme sinto-me à deriva, no meio do mar e sentindo um irresistível desejo de entrar na primeira sala de cinema para poder contemplar de toda Arte que te fez escrever um texto tão poético!!!
20-08-2009 | 13:40
Luiz,
Vi o filme incentivada pelo seu comentário e ele, realmente, traduz muito bem a essência do filme!Fui o tempo inteira catapultada para uma atmosfera de tensão e descobertas. Impossível não nos identificarmos com as personagens, afinal quantas Felipas somos ao longo da vida?
Também gostaria de ressaltar a força das personagens femininas que impera neste filme!!