Na Natureza Selvagem
Canal : Cinema Falado em 14.set, 2009
Olá amigos cinenautas,
Recentemente sofri um assalto coisa muito chata, mas que me fez lembrar, não somente lembrar, se não voltar a rever um grande filme titulado Na Natureza Selvagem (Into the wild), adaptação de um livro do jornalista Jon Krakauer, que conta a história verídica de Christopher McCandless um aventureiro que abdica de sua vida para ir de encontro com a natureza. Pois bem, esse livro foi levado para as telonas com a genialidade do ator/diretor Sean Penn em 2007.
O filme conta a história de um recém licenciado que acaba de concluir a faculdade e resolve doar todo seu dinheiro a uma instituição de caridade, o pouco que lhe resta queima, e parte para uma aventura em busca do auto conhecimento e o afastamento de um mundo materialista ao qual pertencia.
Bem amigos o filme é um show, nos mostra encontros no percurso desse jovem com
pessoas fantásticas, pessoas que transmitem seus ensinamentos e estilos de vida,
mas mesmo assim a busca por uma felicidade sem sociedade ainda atrai ao jovem
aventureiro que segue seu caminho para o Alasca sem pensar em nenhum suposto
convívio com as mesmas.
Interessante como ao decorrer de sua viagem ele vai anotando pensamentos sobre
coisas simples e algumas complexas, mas que nos faz questionar muito o porquê
temos que ser felizes e como podemos fazer para encontrar essa felicidade. Faço
um gancho com o ocorrido, pois fui assaltado convivendo em uma sociedade, o que
de certa forma para o jovem não aconteceria, por estar em um lugar onde seu
convívio único era com a natureza. Uma de suas últimas anotações ele se
questiona se existe felicidade estando sozinho. Será que existe felicidade sem
sociedade?
Abraços
João Ferreira – Equipe Cinema na Web
14-09-2009 | 17:23
Olá João e os cinenautas,
Somos todos bárbaros. A sociedade foi apenas um meio de “civilizar”, “por em ordem” nossas barbáries. Veja na televisão, leia um jornal, navegue pela internet, olhe do seu lado; o picadeiro do circo de horrores está montado e fazemos parte dele sendo protagonista ou apenas espectador.
Assaltos acontecem dia após dia, dos mais violentos que violam a integridade física ou material, aos mais perigosos e silenciosos que roubam a nossa verdadeira essência. Desde da nossa idade zero, o não, não faça, papai e mamãe ficam tristes, papai Noel presenteia apenas os bonzinhos, Deus vai castigar, você não vai para o céu, você é feio, gordo, magro, chato, preto, vermelho, amarelo e milhares de outros furtos… vão tirando e deixando vazia nossa verdadeira persona. Quando paramos e olhamos, não sabemos realmente quem somos ou o que somos… Esse é o mais cruel de todos os assaltos.
Into the Wild, Na Natureza Selvagem é uma viajem ao Alasca, um lugar frio, desolado e selvagem, não o localizado na latitude 54°40′N – 71°50′N e longitude 130°O – 173°E mas o que criamos em nossa alma, inchada pelo ego, fria e completamente vazia, arrazada não por um inverno rigoroso da natureza mãe mas ocasionada pelas mãos velozes, leves e furtivas dos conceitos e pré-conceitos impostos por nossa sociedade.
Um carro do ano, celular de última geração, computadores, notebooks, tvs LCD 60 polagadas, roupas de grife, sapatos lustrados, tênis tecnológicos, uma cobertura duplex de 450m2, uma conta milionária. Transportamos tudo isso para o nosso “Alasca” esperando preencher o imenso latifundio vazio e gritamos bem alto que somos felizes; e como resposta recebemos um vento gélido e cortante da nossa própria voz reverbada pelos paredões e montanhas congeladas que cercam a nossa vida. Somos felizes?
Christopher McCandless andou por dois anos pelas estradas do Estados Unidos em busca da verdadeira felicidade e a encontrou. Pensou que estava em um lugar e lá estava ela. Pensou que a encontraria sozinho e ele estava certo. Pensou que seria duradoura e errou.
Ele pegou o “Ônibus Mágico” errado. O certo era o que fazia a linha dos amigos, da família, das pessoas que encontramos, dos amores, das paixões e tendo como final de linha o seu “Alasca”, pois como ele descobriu, “a verdadeira felicidade é uma busca interior e quando a encontramos só é válida quando a compartilhamos”.
Abraços a todos.
15-09-2009 | 10:33
João, diante de tais questionamentos, impossível não querer ir correndo assistir a este filme.
Acho que esta reflexão sobre até que ponto a nossa felicidade pode ser determinada por um padrão social é bem atual e necessária neste momento.
Valeu a dica, estou certa de que vou gostar deste filme!!!