Contato – de 1997

Canal : Cinema Falado em 11.nov, 2009

O vazio do espaço é cortado pelo áudio de uma transmissão televisiva. “Fazemos compras e surfamos na web. Mas, ao mesmo tempo nos sentimos mais vazios… mais sós e isolados uns dos outros, do que em qualquer outra época. Tornamo-nos uma sociedade artificial…” 
Em terra, em um silencioso e frio deserto, deitada no capô de seu carro e com o notebook ao lado, uma mulher se prepara para mais uma longa noite de vigília. Duas teclas são pressionadas, ao fundo vinte e sete antenas gigantes começam um longo movimento sincronizado de rotação. Ouvimos um pequeno zumbido acompanhado por uma leve estática, o rosto da mulher com olhos fechados agora em close – fones nos ouvidos; sua respiração começa ficar audível… não, espere, acho que é o pulsar do sangue em suas veias… não, não, acho que me enganei, parece que o coração dela que pulsa, ouvimos o sangue sendo bombeado por suas veias… não, não, espere… me enganei novamente… é estática, pulsante, metálica, cadenciada, martelando… cada vez mais alto, forte… o som da descoberta; segundos passam até que seus olhos se abrem, incrédula; tentamos ouvir o coração, abafado, disparado, adrenalina correndo no sangue, o gosto de cobre na boca… o sabor da descoberta; “Puta merda!!!” Fechando seu notebook e com um walk talk na mão, entra no carro e sai em disparada gritando coordenadas para seus companheiros de trabalho… o carro cada vez mais veloz, Ellie com os olhos na estrada, voz de comando para a base, e seus sonhos muito perto, muito perto.
O que fez Ellie explodir dessa maneira? O que nos move dessa maneira? Da descoberta do fogo ao pisar na Lua. Qual motivação? Qual o combustível? O que nos faz levantar de nossas camas todos os dias? Sonhos? talvez. Dinheiro? bem provável. Obrigação? uma droga, mas uma verdade. Sem opções? nem pensar, sempre temos opções. Programados e robotizados? uma verdade.
Tenho medo todos os dias que acordo, fico alguns segundo olhando para o teto branco, esperando. Uma resposta; minha resposta, meu “combustível”. Tenho medo de um dia não encontrá-lo, estaria perdido, para sempre.
Ellie percorreu seu caminho, dia após dia, em busca de sua resposta. Não importava o que teria que enfrentar. Perdas dos entes mais queridos. Formação árdua no MIT. Corte de verbas no trabalho. Um mentor de caráter duvidoso. Preconceito dos amigos. O amor por um religioso. Jogo de poder. Um milionário maluco. Quem sabe até a morte. Mas no final, sentada dentro de sua esfera blindada, se lança, sem medo de encontro a seu objetivo. “Estou pronta.”

Tudo ocorreu em um piscar de olhos, para uns. Para Ellie, 18 horas. Pouco importa se foram segundos ou horas. O importante foi sua aventura, sua trajetória seus passos, mesmo que apresados impulsionados pela combustão explosiva de nossos desejos. “Small moves, Ellie. Small moves.”
Onde o encontramos? Esse “combustível” mágico. Talvez ele já exista esperando apenas uma fagulha para que a explosão se inicie, rápida, veloz como a luz; uma sensação mágica, embriagante e viciante que poucos conhecem. Ellie nossa pequena Spark, desde menina… “Aqui fala W9GFO. Câmbio.” – apenas estática – ”Vou precisar de uma antena maior.” … sabe muito bem disso.

contactO vazio do espaço é cortado pelo áudio de uma transmissão televisiva. “Fazemos compras e surfamos na web. Mas, ao mesmo tempo nos sentimos mais vazios… mais sós e isolados uns dos outros, do que em qualquer outra época. Tornamo-nos uma sociedade artificial…

Em terra, em um silencioso e frio deserto, deitada no capô de seu carro e com o notebook ao lado, uma mulher se prepara para mais uma longa noite de vigília. Duas teclas são pressionadas, ao fundo vinte e sete antenas gigantes começam um longo movimento sincronizado de rotação. Ouvimos um pequeno zumbido acompanhado por uma leve estática - agora em close, o rosto da mulher com olhos fechados e com fones nos ouvidos –  sua respiração começa ficar audível… não, espere, acho que é o pulsar do sangue em suas veias… não, não, acho que me enganei, parece que o coração dela que pulsa, ouvimos o sangue sendo bombeado por suas veias… não, não, espere… me enganei novamente… é estática, pulsante, metálica, cadenciada, martelando… cada vez mais alto, forte; segundos passam até que seus olhos se abrem, incrédula; tentamos ouvir o seu coração, abafado, disparado, adrenalina correndo no sangue, o gosto de cobre na boca; “Puta merda!!!” Fechando seu notebook e com um walk talk na mão, entra no carro e sai em disparada gritando coordenadas para seus companheiros de trabalho… o carro cada vez mais veloz, Ellie com os olhos na estrada, voz de comando para a base, e seus sonhos muito perto, muito perto.

O que fez Ellie explodir dessa maneira? O que nos move? Qual motivação? Qual o combustível? O que nos faz levantar de nossas camas todos os dias? Sonhos? talvez. Dinheiro? bem provável. Obrigação? uma droga, mas uma verdade. Sem opções? nem pensar, sempre temos opções. Programados e robotizados? uma verdade.

Tenho medo todos os dias que acordo, fico alguns segundo olhando para o teto branco, esperando. Uma resposta; minha resposta, meu “combustível”. Tenho medo de um dia não encontrá-lo, estaria perdido, para sempre.
Ellie percorreu seu caminho, dia após dia, em busca de sua resposta. Não importava o que teria que enfrentar. Perdas dos entes mais queridos. Formação árdua no MIT. Corte de verbas no trabalho. Um mentor de caráter duvidoso. Preconceito dos amigos. O amor por um religioso. Jogo de poder. Um milionário maluco. Quem sabe até a morte. Mas no final, sentada dentro de sua esfera blindada, se lança, sem medo, de encontro a seu objetivo. “Estou pronta.”

Tudo ocorreu em um piscar de olhos, para uns. Para Ellie, 18 horas. Pouco importa se foram segundos ou horas. O importante foi sua aventura, sua trajetória, seus passos, mesmo que apresados e impulsionados pela combustão explosiva de seus desejos. “Small moves, Ellie. Small moves.”

Onde o encontramos? Esse “combustível” mágico. Talvez ele já exista esperando apenas uma fagulha para que a explosão se inicie, rápida, veloz como a luz; uma sensação mágica, embriagante e viciante que poucos conhecem. Ellie nossa pequena Spark… “Aqui fala W9GFO. Câmbio.” – apenas estática – ”Vou precisar de uma antena maior.” … sabe muito bem disso.

Abraços a todos,

Luiz Carrera – Equipe Cinema na Web


2 Comentários

  • João

    Me pergunto também, onde anda meu combustível? Pois estou na reserva a muito tempo. Muito bem escrito o texto e o filme sem dúvidas como vc falou, nos faz sentir o sangue circulando pelo nosso corpo.

  • Josie

    Também me pergunto o que às vezes me faz explodir…o que me move….a motivação pra tudo…
    O que me faz levantar da cama todos os dias é saber que nenhum é igual a outro e sempre na esperança desse BOOM da transformação diária, completamente ligado pela robotização.
    Realmente uma verdade!
    Bom texto!
    Parabéns!

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