Cinema Falado

Pensamentos à deriva.

Canal : Cinema Falado em 03.ago, 2009

poster_aderivaAo sair do cinema, no último sábado, minha paixão pela arte de fazer filmes ficou mais ardente. O filme À Deriva me fez refletir.

Somos os pais de Filipa. Esquecemos de abastecer nossos “barcos” e, sem menos esperar, lentamente, ficamos à deriva. Olhamos a nossa volta avaliando as possibilidades; mas fazer o que? Relaxamos e deixamos a maré nos levar a algum ponto. Esperamos, imóveis. A ajuda vai chegar, se Deus quiser. Após algum tempo, de cara para cima, de óculos escuros, tomando sol e a reboque, deixamos nos arrastar para um cais seguro. Será?

Nossos olhos, os olhos de Filipa. Meigos, doces, vivos, inocentes… duros, amargos, mortos, indecentes; uma troca de olhar, palavras ditas ou não ditas, gestos, ações, inércia, afeto, raiva, amor, sexo, indiferença, violência; vemos apenas acima da linha do horizonte, na superficie do mar maravilhoso de Búzios; deixamos de perceber, no fundo, as “correntes” que realmente movimentam nosso destino. Mas até quando?

Agora somos Filipa. Nos dias de verão curtindo as férias, vamos para praia. No início mergulhamos como menina, no final emergimos, transformada, como uma mulher. Descobrimos muito mais do que podemos enxergar na supefície do mar de nossas vidas.

Prefiro não falar mais, apenas pensar… com os pés mergulhados na água, olhando para o céu azul e com o vento batendo em meu rosto… cinema é mágico.

Luiz Carrera
Equipe Cinema na Web

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Sobre ternos pretos – Um pouco de moda.

Canal : Cinema Falado em 30.jul, 2009

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Inimigos Públicos (Public Enemies) fica no meio termo, mas puxando mais para o estilo clássico quando falamos sobre moda. Contando a história real do notório ladrão de bancos John Dillinger (Johnny Depp), o criminoso mais famoso da sua época, o filme não somente se passa na década de 1930, como tem muito do estilo dos filmes clássicos de gângsteres. Sem sombra de dúvidas os anos 30 foram muito refinados, diferentes dos anos 20 que foram lembrados pela ousadia na maneira de vestir.

Tudo o que era simples e harmonioso passou a ser valorizado, sempre de forma natural, sendo bem retratado no filme. Essa década foi chamada de ‘Anos Loucos’ porque a vida era uma festa. A diferença na moda entre essas duas décadas é que nos anos 20 a silhueta era tubular e sem curvas, a mulher adotou um look mais andrógino e os comprimentos aumentaram.

Em seu figurino, a surpreendente atriz Marion Coutillard interpretando a namorada de Dillinger, usa modelos sensuais e elegantes, característicos da época.

As mulheres que nos anos 20 tinham cabelos bem curtos começaram a deixá-los crescer e os vestidos passaram a ser costurados com tecidos mais baratos, como algodão. Mesmo assim os vestidos eram justos e retos, além de possuírem uma pequena capa ou um bolero, também bastante usado na época e considerado muito sofisticado. O corte enviesado e os decotes profundos nas costas dos vestidos de noite marcaram os anos 30, que elegeram as costas femininas como o novo foco de atenção.

O que não podemos esquecer é que Johnny Depp e Marion Coutillard estão fazendo uma atuação sensacional neste filme e mais uma vez mostram que podem interpretar com facilidade qualquer papel. Para quem gosta de ação e romance, é uma boa pedida! Você vai perceber que moda e romantismo seguem conectados nessa trama.

Tâmara Maduras
Colaboradora do Cinema na Web

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É tão chato crescer?

Canal : Cinema Falado em 21.jul, 2009

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Um dia tentei lembrar quando tinha deixado de ser criança. Aquela sensação de euforia, embriagues, o gosto de ocre na boca, o leve embrulhar no estômago, as mãos suadas, o quentura nas bochechas, os olhos ávidos e fixos no novo, o inesperado, o fantástico, o desconhecido quando é revelado diante de nós. Buscava me lembrar quando tinha sido a última vez que Peter Pan tinha vindo me visitar. São raras as vezes que isso acontece depois que se perde a inocência, e acreditem, quase nunca acontece depois dos trinta. Acho que Peter não gosta muito de adultos.

Ao terminar Harry Potter e o Enigma do Príncipe fiquei me perguntado, o que terá acontecido comigo? O que terá acontecido com Harry Potter? E com J.K. Rowlings? E os diretores? Roteristas e produtores? E os mais de 400 milhões de aficcionados pelo o universo de Harry? Será que nossa Wendy cresceu, casou, teve filhos e agora é uma dona de casa? Sim, não temos dúvidas, eu cresci, Harry cresceu e com ele toda uma geração de novos jovens e de velhos jovens que se maravilharam com suas estórias. Aquele pequeno garoto que começou a descobrir que era um bruxo e foi estudar em Hogwarts, uma escola situada em um universo de fantasias… ficou adolescente e está quase adulto. Mas será que ser adolescente é tão chato? Será que virar adulto é tão tedioso? Que nossa estória de vida se tranforma em uma narrativa arrastada, pesada, chata onde nada acontece, onde acontecimentos nos levam a lugar nenhum; ou vivemos alguns momentos sem nexo apenas para complementar lacunas de nossas vidas? Será que amigos dormem e roncam ao nosso lado quando contamos algumas de nossas estórias? Será que perdemos ou não sabemos o objetivo principal dos nossos atos? Pois é, o Enigma do Príncipe continua um enigma. Nada a mim foi revelado, todas as lembranças e respostas continuam presas na pequena coleção de frascos de Dumbledore guardada em seu aposento.

Mas descobri uma coisa. O chato não é crescer. O chato, é deixar que o nosso espírito de Peter Pan se sinta seduzido pelos prazeres da vida adulta e queira abandonar por definitivo a Terra do Nunca. Se isso acontecer, o que será das boas estórias? Ficarão elas presas no mar gelado, como o velho galeão do Capitão Gancho, esperando Peter Pan voltar e devolver a Terra do Nunca toda energia e alegria do espírito de ser criança?

Por Luiz Carrera

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